sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Arte e Pecepção visual :Uma Psicologia da visão Criadora [Rudolf Arnheim]


Configuração[Resumo]

Para os fins da vida cotidiana, ver é essencialmente um meio de orientação prática, de determinar com os próprios olhos que uma certa coisa está presente num certo lugar e que está fazendo uma determinada coisa.Isto é uma identificação no seu sentido simples.
A visão como exploração ativa; implica no fato de que, o mundo das imagens não se satisfaz em imprimir-se simplesmente sobre um órgão fielmente sensível, pelo contrario ao olharmos para um objeto procuramos alcançá-lo, empiricamente falando, porque esse ato de perceber as formas é uma ocupação ativa, o que cria de certa forma, uma ponte tangível entre o observador e o objeto observado.
Captação do essencial; A percepção visual não opera com fidelidade mecânica como uma câmara, que registra tudo de maneira imparcial, temos uma certa subjetividade na nossa percepção quando olhamos uma imagem,um objeto,nossos olhos captam características que se destacam.Identificamos um conhecido a grande distância unicamente pelas proporções e movimentos elementares,o que não significa dizer que a nossa visão não esta atenta aos detalhes,quando falta à coisa observada esta conformidade,ou seja,quando vemos um aglomerado de partes ,os detalhes perdem significado e o todo torna-se irreconhecível.
Conceitos perceptivos; No desenvolvimento orgânico, a percepção começa com a captação dos aspectos estruturais mais evidentes. É evidente que as características estruturais globais são dadas primários de percepção, de modo que a triangular idade não é um produto posterior à abstração intelectual, mas uma experiência direta e mais elementar do que o registro de detalhe individual, lembrando que a configuração de estímulos entra no processo perceptivo apenas no sentido de que desperta no cérebro um padrão especifico de categorias sensórias gerais, na medida em que se vê o panorama confuso como uma configuração de direções definidas, tamanhos, formas, pode-se dizer que o percebemos realmente. “A percepção consiste na formação de ‘conceitos perceptivos”, os sentidos se limitam ao concreto enquanto os conceitos tratam do abstrato, a percepção realiza ao nível sensório o que no domínio do raciocínio se conhece como entendimento.
O que é configuração; A configuração perceptiva por contraste pode mudar consideravelmente quando sua orientação espacial ou seu ambiente muda, as formas visuais se influenciam mutuamente ,a forma de um objeto é determinada não somente por seus limites,a imagem é determinada pela totalidades experiências visuais que tivemos com aquele objeto. A configuração perceptiva é o resultado de uma interação entre o objeto físico, o meio de luz agindo como transmissor de informação e as condições que prevalecem no sistema nervoso do observador, a forma de um objeto é representada pelas características espaciais consideradas essências.
A influência do passado; Toda experiência visual é inserida num contexto de espaço e tempo, Gaetano Kanizsa cita: ”somos capazes de nos familiarizar com as coisas do nosso ambiente precisamente porque elas constituem para nós através das forças da organização perceptiva agindo a priori, e independentemente da experiência, permitindo-nos, por isso experimentá-la”, ainda diz” a interação entre a configuração do objeto presente e a das coisas vistas no passado não é percebida entre elas”. A influência da memória é aumentada quando intensa necessidade pessoal faz o observador desejar ver objetos com certas propriedades perceptivas.
Ver a configuração; O sentido da nossa visão normal não se baseia, nem define a figura resultante através de formulas, ela apreende um padrão global.
Simplicidade; Quando as coisas se dispõem de tal modo que ao nos serem apresentadas pelos sentidos podemos facilmente imaginá-las e, em conseqüência, com facilidade recorda-lás,as chamamos bem ordenadas e,no caso oposto,mal ordenadas ou confusas,simplicidade contando não os elementos mas os aspectos estruturais,deve-se notar que os aspectos em questão não são aqueles realmente desenhados no papel mas os percebidos no desenho.A simplicidade absoluta pode ser exemplificada na canção do folclore que é mais simples do uma sinfonia ,já a simplicidade relativa,se aplica a todos os níveis de complexidade.As grandes obras de arte são complexas,mas também as louvamos por ‘conterem simplicidade”,o que quer dizer que,organizam uma riqueza de significado e forma numa estrutura total que define claramente o lugar e a função de cada detalhe no conjunto,o caráter do significado e sua relação com a forma visível que o pretende expressar ajudam a determinar o grau de simplicidade.
Nivelamento e aguçamento; O nivelamento caracteriza-se pela unificação, realce da simetria, redução das características estruturais, repetição, omissão de detalhes não integrados, já o aguçamento realça as diferenças,intensifica a obliqüidade,ambos ocorrem no mesmo espaço,diferem no seu efeito sobre a dinâmica.
Um todo se mantém; Qualquer interação física que ocorra no mundo que vemos não tem necessariamente um correspondente visual,outras observações mostram que,quando lesões cerebrais causam áreas cegas no campo visual,figuras incompletas são vistas como se fossem completas,contando que sua forma seja suficientemente simples e boa parte dela apareça na área observada.
Subdivisão; Mesmo que as figuras organizadas se aproximem de sua integridade e se completem quando mutiladas ou distorcidas, não presumiríamos que tais figuras sejam sempre percebidas como massas compactas indivisíveis. O todo e as partes estão bem ajustadas quanto à resistência,de modo que o todo prevalece sem ser ameaçado por uma separação,mas ao mesmo tempo as partes mantém certa auto-suficiência.
Por que os olhos com freqüência dizem a verdade?;Se as formas visuais devem ser úteis, devem corresponder aos objetos do mundo físico, a parte do mundo feita pelo homem adapta-se às necessidades humanas, não apenas a mente humana, mas a natureza física também deve obedecer à lei da simplicidade, a útil correspondência entre o modo que vemos as coisas e o seu real modo de ser acontecer porque a visão, como um reflexo do processo físico do cérebro, esta sujeita à mesma lei básica de organização das coisas da natureza.
O que é uma parte?Qualquer seção de um todo pode se chamar parte, é necessário distinguir entre “partes genuínas” secções que revelam um subtotal segregado dentro do contexto total, e meras porções ou pedaços, isto é,secções segregadas apenas em relação um contexto local limitado.
Semelhança e diferença; A semelhança pode tornar as coisas invisíveis, e independe de outros fatores, a semelhança é um pré-requisito para se notar as diferenças, semelhança e diferençaO de velocidade ajudam a defini a distância.
O esqueleto estrutural; Por necessidade trabalho manual humano procede à seqüência, o que será visto como um todo na obra final, cria-se parte por parte, A imagem condutora da mente do artista não é tanto uma previsão fiel e como se parecerá a pintura ou escultura acabada,mas principalmente o esqueleto estrutural,a configuração de forças visuais que determina o caráter do objeto visual.

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